Estava acompannando um pouco de longe os acontecimentos sobre o EIRPG e decidi dar meu último pitaco no assunto e depois fico esperando a data chegar para, mais uma vez, acompanhar deperto o que anda acontecendo no hobby., ir ao evento, ver as pessoas e quem sabe jogar um pouquinho.
Mas será que isso vai ser assim tão simples? Já faz algum tempo que tenho conversado com pessoas que atuam ou atuavam no meio do RPG e sempre comentei do formato do EIRPG: que para mim hoje está muito aquém do que poderia ser.
Quando surgiu em 1993, nos dias 5 e 6 de junho na Marquise do Ibirapuera ele veio com a força de um evento novo e desconhecido do grande público trazendo um convidado internacional, o Steve Jackson, criador do GURPS “um dos sistemas mais audaciosos de jogos de RPG”.
Lembro-me bem destes dias onde eu estava para ser adimitido na Devir e era naquele momento um dos demonstradores de jogos, capitaneados pelo também americano Tadeu Blanchette.
Estavamos lá excitados com a coisa toda, ajudamos a montar o evento, corremos de um lado pro outro com o Steve, que era a estrela e que para nosso espanto fez questão de jogar com o pessoal no evento (mesa de Ogre Miniaturas) e foi sempre solícito ao autografar livro, inclusive copia xerox além de um exemplar de D&D! (lógico que sempre levando na brincadeira, no livro de D&D ele escreveu “THIS IS NOT MINE!”).
Na programação do primeiro EIRPG tivemos mesas de jogo, lançamento de livro, palestras oficinas e campeonato de miniaturas.
Passou um ano e veio Mark Rein Hagen, autor de Vampire, o hit do momento, ainda na Marquise que o recebeu como uma estrela de rock que ele mesmo nnao poderia imaginar (outra lembrança dele com os olhos mareados e estupefado com a receptividade e carinho dos brasileiros.)
Foi lá também que tivemos o primeiro gostinho de um live action.
Vem mais um ano na Marquise, este um dos mais bombados com a Grow, Hero qQuest e toda a midia em cima do jogo. Ano seguinte, 1996, na Marquise ainda com o morno autor de Toon e ainda com Abil Grow, Coca e a midia em cima ainda mostrando o RPG como uma nova tendencia entre os jovens.
Em 1997 muda-se de casa, ainda no Ibirapuera mas com outro local, o pavilhão Manoel da Nobrega. Vem Mulvhill autor de Battletech e Shadowrun dar os ares da graça. Magic então começa a bombar forte nos eventos.
Já em 1998 um sinal de crise, quando o local sai de vez da Marquise e vai para o galpão Fábrica (Barra Funda) um lugar meio duvidoso para o evento com goteiras e um teto que parecia que ia desabar a qualquer momento, Mas ainda assim foi um dos melhores convidados internacionais, o autor de Cyberpunk e Castelo Falkenstein, Mike Pondsmith. Um mestre de RPG de voz forte, personalidade marcante e muito carinhoso com o público. Lá também pudemos ter um grande live action, ambientado em um cenário brasileiro.
O patrocínio dos eventos se resumia naquele ano a realização da Devir/Terramedia e apoio da Coca-Cola.
No ano seguinte muda tudo de novo e temos um evento novamente na Marquise do Ibirapuera, um convidado bacana e muito visado naqueles tempos, Peter Adkinson da TSR e Wizards.
Em 2000 vamos para o local conhecido hoje de todos, o Mart Center. Longe, mas ainda assim a visão da entrada, cheia de jogadores apinhados na porta as 8h da manhã é uma visão que guardo com carinho.
Vem 2001, 2002 e em 2003 começa a ser cobrada a entrada do pessoal. Seis reais. Chega 2004 e em 2005 a sexta feira que antes era “aberta” para escolas sai da programação, mantendo-se apenas o fim de semana.
2006, 2007 e chegamos em 2008 contabilizando os últimos anos apenas como um evento bancado pela Devir com pouco apoio de outras empresas.
O formato variou pouco, na verdade quando foi para o colégio marista Arquidiocesano o formato melhorou, com mais salas e mini-eventos pipocando. Mas de resto a programação continua a mesma que foi mostrada no primeiro encontro.
Mas então o que acontece com o EIRPG que parece estagnado no tempo? Sua maior virtude também podeser seu maior problema. Montar o evento como foi montado foi um ato de ousadia e de acertos por parte da Devir, mas como tempo parece-me que algo ficou engessado. Não é mais interessante ou tão interessante ir jogar no EIRPG? ainda é possível conhecer gente nova e jogos novos nas mesas de lá?
Muita gente é categórica e diz que não, outros falam que sim.
Será então o momento de mudar o foco? Trazer novidades e outros meios para a feira? Isso manteria o jogador de RPG visitando e jogando no evento? O que se propõe hoje o EIRPG?
Quando muita gente vai la para ver as coisas e não jogar, os que jogam, parte deles vai la para jogar com os amigos de sempre, que costumam fazer parte da mesa de jogo dos finais de semana… Não seria então necessário rever o formato? Ou mais que isso será que este formato está valendo ainda como evento de RPG?
Um evento de RPG onde não vão as pessoas que fazem parte do mercado? A culpa é dos jogadores ou das empresas que estão falhando ao ver e entender seus consumidores?
Eu quero jogar e você? Vamos jogar no EIRPG?
Questões como esta são interessantes de se jogar e tentar buscar uma resposta ou um norte. E isso é tanto para nós quanto para eles. Jogar a culpa na crise ou em nós ou nós neles pode parecer simples e fácil, mas basicamente confirma o estado das coisas que vemos hoje no RPG no Brasil.
Em tempo, ontem liguei para a Devir/Terramédia e ainda não haviam confirmado oficialmente o evento. Apesar do tempo estar correndo ainda acho que podemos fazer deste EIRPG um termômetro para avaliar não apenas o trabalho de cada um no evento, mas tambémo que queremos dele como consumidores.
Somente unindo as duas pontas é que, acredito eu, possamos resgatar a experiência que tínhamos nos antigos eventos.
Os tempos mudaram, o público mudou, o cenário mudou, porque não também mudar o maior evento de RPG do país?
E estes foram meus 2 (quase 4) cents.
Agora, que ninguém diga que nnao falei que a coisa tava russa,que a coisa não ia rolar ouque no maximo seria uma “aparição” no anime friends. Este é o mal de não ter uma voz oficial, de não termos um posicionamento, bom ou ruim sobre o assunto. Confesso que para este ano estou sem expectativas. Vamos ver o que o tempo dirá.